Urbanizando a Compota

Por Leticia Pettená

Apesar de estar escrevendo aqui sou uma péssima seguidora de receitas. Combinei com a Pati de escrever sobre como as receitas da minha família despertaram a minha paixão pela cozinha. Antes do Natal escreveria sobre a (anti)tradição da minha família de comer bacalhoada no Natal no lugar do perú, tender e afins.

Mais uma vez não segui a receita e o texto não saiu no prazo…fica para o próximo Natal.
Inauguro a minha participação com a reflexão sobre outra tradição, da minha e de muitas famílias, que está sendo extinta nas cidades: os doces de fruta. Estive no final do ano no Mato Grosso do Sul e todos os dias, em todos os lugares, em todas as refeições (sim até no café da manhã) tinha uma compota ou doce de tacho para comer. Aqueles que a gente nem ouve mais falar por aqui: doce de mamão verde, de cidra, de laranja, de abacaxi. Lembrei imediatamente do sítio da minha avó paterna, onde a cada visita a gente comia um doce da fruta que estava na época e sobrava no pé.
Minha mãe fazia o melhor doce de abóbora com coco da vida, desfiado, sequinho com bastante coco ralado e cravo. Sua mãe, minha avó materna, trouxe de Portugal a receita das Ginjas as cerejas em conserva (na aguardente) que a gente tomava depois das refeições nas festas da família. Os adultos ficavam com o alcool e nós crianças comíamos todas as cerejas.
Pensei comigo mesma, na mesa de um desses almoços das férias, vendo uma de minhas filhas de 3 anos comer mamão em calda: qual é a memória doce que vou deixar para ela?
Nada contra os brigadeiros (que adoro) mas tem pouca história pra contar numa lata de leite condensado, barra de manteiga e caixa de chococolate em pó. Não queria que essas memórias viessem da prateleira do supermercado. Queria deixar o gostinho das férias, das árvores, da rede, dos pés descalços.
É certo que nas cidades está cada vez mais difícil ter um pomar, e que ninguém, muito menos minhas filhas, precisam de mais açúcar, mas me lancei o desafio de adaptar essa tradição para a minha realidade sem pomar e sem tacho.
Por que não transformar em doces, com nenhum ou pouco açúcar, aquelas frutas da feira que muitas vezes envelhecem na fruteira? Daqui alguns meses se o experimento der certo compartilho com vocês o que fez mais sucesso. Isso se eu souber repetir a receita.

Compota de Laranjinha Kinkan

  1. Leve 3 litros de água para ferver em uma panela grande. Quando ferver coloque as laranjinhas e ferva por 3 minutos.
  2. Repita essa operação, trocando de água todas as vezes, por no mínimo 3 vezes (ou até que todo o amargo da laranjinha tenha saído). Escorra todo o excesso de água das laranjinhas.
  3. Coloque o açúcar, as sementes e a casca da fava de baunilha e a água em uma panela, misture bem fora do fogo. Leve ao fogo e quando o açúcar estiver totalmente dissolvido e tiver se formado uma calda rala coloque as laranjinhas.
  4. Deixe cozinhar até que as laranjinhas estejam bem macias e a calda mais grossa.
  5. Guarde em um recipiente bem fechado na geladeira.

    *Sirva com sorvete de baunilha ou com o de sua preferência.

Geleia de Damasco

  1. Em um liquidificador, misture os damascos e a água até obter uma pasta.

     

  2. Leve ao fogo e acrescente o açúcar. Espere levantar fervura e deixe por alguns minutos até que atinja a consistência desejada.
  3. Coloque no pote esterilizado.

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